sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Voltando pra casa...

Conforme programado, deixamos Lisboa no dia 8. Passamos tanto tempo lá que já estávamos nos sentindo como os locais, verdadeiros lusitanos. A estadia por mais tempo nos ensinou a apreciar e gostar mais dos encantos da terra. O povo português é muito receptivo e tem um carinho especial pelos brasileiros e um grande fascínio pela nossa música (ligando o rádio é o que normalmente se ouve). Para fechar com chave de ouro nossa permanência em Lisboa, influenciados pela leitura do livro “Eu, Maria Pia”, última rainha da monarquia portuguesa, de Diana Cadaval, velejamos até a Praça do Comércio e nos sentimos como membros da nobreza portuguesa partindo para uma jornada no “além Tejo” (sonhar faz parte...). Que lindo e emocionante, concordam conosco?






Em Lisboa ficamos conhecendo um seguidor de nosso blog, o Rui Silva e sua família. Sentimos o quanto é bom dividir com outras pessoas nossa experiência. Ele está construindo um barco e aproveitou para conversar conosco sobre a aventura e barcos. Adoramos ... Nos despedimos dele e de seus filhos Eva, Ema e Samuel na véspera da viagem , no Ephémeros. Obrigada Rui pelas dicas de Lisboa, pelo jantar no restaurante Fuso em Arruda, onde comemos o melhor bacalhau de Portugal, e pela atenção que teve conosco. Estamos torcendo para que o barco fique pronto dentro do menor tempo possível e PARABÉNS pelo projeto. Esperamos você no Brasil. Dê sempre noticias.



Ficamos um pouco mais em Lisboa porque o motor do barco começou a apresentar sintomas de queima incompleta de diesel e foi necessário trocar os bicos injetores. Aproveitamos e trocamos também o misturador da descarga que apresentava micro trincas e já começava a vazar água salgada. Tudo executado com rara eficiência e presteza pela empresa J.J.R. Soeiro situada na Doca de Belém.

Saímos no dia 8 às 16:45 e logo que deixamos o Tejo uma surpresa, avistamos tres barcos da Ericson que participam da Volvo Ocean Race velejando por lá. Claro que eles não conseguiram nos acompanhar...

Logo que entramos no Atlântico encontramos ondas de 2 a 2,5 metros de través que faziam o barco balançar bastante tornando o início da viagem um pouco desconfortável. Apesar disso, nossa travessia foi tranqüila com ventos de alheta/popa na faixa de 12 a 22 nós. Durante as noites o vento sempre aumentava e tivemos algumas rajadas de 25 nós. No segundo dia montamos as velas em “asa de pombo” e o barco ficou bem mais estável. Após 73 horas e 488 milhas percorridas (velocidade média de 6,7 nós) aportamos na marina de Porto Santo.





Terra à vista!








O arquipélago da ilha da Madeira é constituído pelas ilhas Madeira, Porto Santo e as ilhas Desertas. Foi uma das primeiras descobertas portuguesas ocorridas durante a “Era dos Descobrimentos”. Chegaram primeiro a Porto Santo (1418) e um ano depois descobriram a ilha da Madeira. Devido às condições climáticas e de solo iniciaram logo o cultivo da cana de açúcar. Trouxeram escravos da África para cuidar da terra e construir os terraços de cultivo e os canais de irrigação, as levadas. A capital da ilha é a cidade de Funchal e atualmente a principal fonte de renda da ilha é o turismo.

Porto Santo é uma ilha pequena e bastante árida. Não possui nascente de água suficiente para a população. Toda a água que serve a ilha é dessanilizada. Possui uma praia com areia dourada de 9 km de extensão o que a torna muito procurada por turistas estrangeiros. O único prédio histórico da ilha é a Casa de Colombo onde estão expostos objetos que relatam um pouco de sua vida. Há registros históricos de sua presença na região (1478), quando aqui veio provavelmente como agente comercial.








Aqui reencontramos nossos amigos Cecília, Fábio e Igor do Planckton. Ter novamente conosco o mascote de nossa aventura é muito bom!



Daqui iremos para a ilha da Madeira. Vamos zarpar no dia 18 e nossa viagem será bem curta, 40 milhas náuticas. Depois das experiências que vivenciamos, uma velejada assim é como um passeio, curtindo apenas o balanço e a brisa do mar. É difícil acreditar mas já estamos no caminho de volta e cheios de motivação para explorar e dividir com vocês tudo que pintar por esse mar “nunca dantes navegado “ por nós.

2 comentários:

  1. Foi um prazer conhecer vocês todos e só tenho pena de não ter propocionado o almoço de Leitão da Bairrada que a Célia tanto queria. Espero que a familia "5 estrelas" tenha uma boa viagem de regresso. Havemos de nos reencontrar por ai.

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  2. Ola tripula do Ephemeros,
    Que bom termos noticias de voces novamente. Estavamos anciosos. Esperamos que estejam todos bem e aguardamos sua chegada na Ilha da Madeira para novas noticias.
    Beijos a todos.
    Helisa e Silvio

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